Helena Roseta
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O que eu andei para aqui chegar
09-01-2019
No final do liceu, em 1965
No final do liceu, em 1965
Na Constituinte, em 1976
Na Constituinte, em 1976
Na campanha da AD em Setubal, em 1981
Na campanha da AD em Setubal, em 1981
Na campanha para a Câmara de Cascais, com A. Capucho e Marcelo R.S. em 1982
Na campanha para a Câmara de Cascais, com A. Capucho e Marcelo R.S. em 1982
Na campanha dos Cidadãos por Lisboa, em 2007 e sempre de bicicleta
Na campanha dos Cidadãos por Lisboa, em 2007 e sempre de bicicleta
Em luta pelo direito à habitação, com os moradores de Chelas, em 2007
Em luta pelo direito à habitação, com os moradores de Chelas, em 2007
Na Assembleia da República em 2016
Na Assembleia da República em 2016
Em defesa da Escola Pública, em 2016
Em defesa da Escola Pública, em 2016
25 de abril sempre (em 2014, no 40º aniversário)
25 de abril sempre (em 2014, no 40º aniversário)
O bar Botequim, no Largo da Graça em Lisboa
O bar Botequim, no Largo da Graça em Lisboa
Auto-retrato de Natália Correia
Auto-retrato de Natália Correia
Capa do livro "Os dois lados do espelho" com escultura de João Cutileiro
Capa do livro "Os dois lados do espelho" com escultura de João Cutileiro
Avós e netos 2017
Avós e netos 2017

Septuagenária, um breve roteiro das voltas que a minha vida deu e o meu rosto registou.

Os anos da formação
Fiz os estudos secundários no Liceu Maria Amália, tendo sido Prémio Nacional. Licenciei-me em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo terminado o curso com média final de 17 valores.

Fui dirigente estudantil da Juventude Escolar Católica nos anos sessenta, na época do Concílio Vaticano II, e Secretária Geral do antigo Sindicato Nacional dos Arquitectos, cargo que ocupava quando fui detida pela PIDE em 1973. Participei com uma tese sobre a habitação no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, em 1973.

Os combates políticos
Fui eleita deputada constituinte em 1975 e deputada para o Parlamento em 1976 (por Lisboa), 1979 e 1980 (por Setúbal), 1987 (pelo Porto), 1995 e 2001 (por Lisboa), 2005 (por Coimbra) e 2015 (por Lisboa). Integrei as listas do PSD até 1982, data em que renunciei ao mandato por conflito de consciência, a propósito da amnistia aos presos do PRP/BR. A partir de 1987 integrei as listas do PS. Fui dirigente distrital e nacional do PSD e dirigente nacional do PS.

Apoiei a candidatura de Mário Soares a Belém em 1986, motivo que me levou a abandonar o PSD. Nesse ano fui Presidente da Comissão do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em 1991, no dia em que se confirmou a segunda maioria absoluta do PSD com Cavaco Silva, entrei para o Partido Socialista.

Fui eleita vereadora em Lisboa em 1976 e Presidente da Câmara de Cascais de 1982 a 1985, pelo PSD. Fui novamente eleita vereadora em Lisboa, em 2007 e 2009, pelo movimento Cidadãos por Lisboa. Nesta qualidade dirigi o primeiro Programa Local de Habitação do país, aprovado em 2010 pela Assembleia Municipal de Lisboa e detive os pelouros da Habitação e do Desenvolvimento Social no mandato autárquico na capital de 2009-2013. Lancei em 2011 o Programa BIP-ZIP Lisboa – Parcerias locais, programa anual para dinamizar parcerias e pequenas intervenções locais de melhoria dos “habitats” dos bairros e zonas prioritárias de Lisboa, através do apoio a projectos levados a cabo por juntas de freguesia, associações locais, colectividades e organizações não governamentais. O programa BIP-ZIP foi distinguido em 2013 com o prémio Boas Práticas de Participação Cidadã pelo Observatório Internacional de Democracia Participativa (OIDP).

Lancei em 2007 o movimento Cidadãos por Lisboa, o que me levou a sair do PS. O movimento elegeu dois vereadores na capital em 2007, tendo em 2009 celebrado um acordo com o PS, para cuja maioria absoluta em Lisboa deu um contributo decisivo. Em 2013 o movimento renovou o acordo com o PS, tendo eu encabeçado a lista do PS à Assembleia Municipal. Fui eleita Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa para o mandato 2013-2017, cargo que ocupo actualmente.

Fui eleita deputada à Assembleia da República, em 2015, como independente nas listas do PS, cargo que actualmente desempenho.

Propus no Parlamento, em 2016, a criação do Grupo de Trabalho da Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidade, no âmbito da 11ª Comissão Permanente da Assembleia da República, tendo sido coordenadora do mesmo até 2018, ano em que apresentei, com o apoio do Grupo Parlamentar do PS, pela primeira vez em Portugal, um projecto de lei de bases da habitação.

Fui Vice-Presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa em 1981 e 1982. Fui membro activo da Conferência dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa desde 1976 até 1979, tendo sido relatora de vários temas relacionados com a participação dos cidadãos nas políticas locais. Fui Presidente da Comissão Parlamentar de Integração Europeia, que preparou a entrada de Portugal na União Europeia, entre 1981 e 1982.

O espólio de Natália Correia
Entre 1991 e 1993 fui gerente do bar Botequim, de Natália Correia, onde todas as noites se reunia uma tertúlia lisboeta animada pela escritora. A Natália morreu em 1993 e quatro anos depois morreu o viúvo, Dórdio Guimarães, cineasta e poeta. Fui madrinha de casamento de ambos. Coube-me, a partir de 1997, tratar do extenso espólio da Natália, que foi integralmente inventariado e entregue às entidades públicas a quem o testador Dórdio Guimarães destinou os vários legados. Foi mais de um ano da minha vida integralmente entregue ao dever cultural e de amizade que tratar aquele espólio representava.

Entre as peças de arte do espólio (mais de 700), estava um núcleo de quadros pintados pela Natália, entre os quais o seu célebre auto-retrato. Este quadro estava desaparecido por alturas da morte do Dórdio e foi preciso um trabalho intenso, jurídico e policial, para o descobrir e recupera. As minhas andanças em tribunal para concluir todas as tarefas relacionadas com o espólio duraram 10 anos.

Outros cargos, outras lutas
Fui eleita Presidente da Ordem dos Arquitectos, cargo que ocupei durante dois mandatos, desde 2001 a 2007. Encabecei uma petição à Assembleia da República com 55.000 assinaturas, em 2002, e a primeira iniciativa legislativa de cidadãos em Portugal, com 35.000 assinaturas, em 2005, sobre o direito à arquitectura e o reconhecimento do papel dos arquitectos. Ambas deram origem a decisões aprovadas por unanimidade no Parlamento.

Fui directora de dois jornais após o 25 de abril (“Povo Livre”, jornal do PSD, e “Jornal Novo”, vespertino lisboeta) e fundadora da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Tenho sido oradora convidada em inúmeros congressos nacionais e internacionais sobre a crise urbana, os direitos das mulheres e os direitos sociais. Participei em seminários e cursos de formação na área do urbanismo e da sustentabilidade, nomeadamente a convite do CES – Conselho Económico e Social e do CEFA – Centro de Formação Autárquica. Fui perita da OCDE para a sustentabilidade urbana nos anos 80 e mais tarde do CNADS – Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Fiz parte do CES e do CNADS, em representação da Ordem dos Arquitectos.

Fui fundadora da IF - Intervenção Feminina e dinamizadora do Movimento Sim pela Tolerância no referendo pela despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, em 1998. Fiz parte da comissão que coordenou o movimento nacional a favor de Timor Leste em 1999. Fui fundadora do Clube de Política Liberdade e Cidadania, em 2004, e do Movimento Intervenção e Cidadania (MIC), em 2006, criado após a primeira candidatura presidencial de Manuel Alegre. No mesmo ano fui fundadora da Plataforma Artigo 65 – Habitação para tod@s, que em 2007 apresentou uma petição ao Parlamento no sentido de ser aprovada uma lei de bases da habitação em Portugal.

Estudar, comunicar, ensinar e ser reconhecida
Fiz trabalhos de planeamento e investigação em áreas relacionadas com a qualidade ambiental, a habitação, a requalificação urbana e o planeamento urbanístico, desde os primeiros planos de recuperação de bairros clandestinos na década de 70.

Leccionei na Universidade Lusófona, em Lisboa, entre 1995 e 1997, nas cadeiras de Urbanismo e Cidadania (licenciaturas de ciência política e de sociologia) e Urbanismo e Autarquias (licenciatura de Urbanismo). Integrei em 2013, por cooptação, o Conselho Geral da Universidade do Minho, na área social e cultural.

Participo regularmente na comunicação social com artigos e comentários televisivos sobre temas que envolvem a participação política, as questões urbanas e os direitos de cidadania.

Publiquei “Os dois lados do espelho” em 2001, um livro de crónicas políticas, na editora Campo das Letras. Co-organizei o livro “Conseguir o Impossível - A campanha presidencial de Manuel Alegre contada por quem a viveu”, editado em 2007 pelas Publicações Dom Quixote.

Recebi em 1982 a Medalha de Mérito do Conselho da Europa e a Ordem da Liberdade em 2005.